Texto: Divulgação
Foto: Acervo Memorial Lajuomim
Como parte das comemorações pelos 80 anos de iniciação no Candomblé do Pai Air José, a Fundação Gregório de Mattos (FGM) fará a entrega da restauração do medalhão de Mãe Caetana em cerimônia realizada nesta sexta-feira (19), a partir das 16h. Desde 2004, o monumento ocupa a Praça Mãe Preta, na Boca do Rio, que fica em frente ao terreiro Pilão de Prata, liderado pelo Pai Air José. O evento integra a programação do 4º Seminário Asé Bàmgbòsé. A cerimônia será realizada na praça Mãe Preta e vai contar ainda com uma surpresa preparada pela FGM para completar a homenagem.
Nascido em 20 de setembro de 1940, no bairro de Brotas, Air José Souza de Jesus é filho de Pedro Antônio de Jesus e de Tertuliana Souza de Jesus. Foi sua tia carnal e espiritual, a iyalorixá baiana Caetana Américo Sowzer (Lajuomim) quem o criou e o iniciou para o orixá Oxaguiã, aos 6 anos.
Uma vez iniciado, o jovem Aizinho, como era apelidado, passou a acompanhar cada passo de Mãe Caetana, tanto no Ilê Lajuomim quanto na Casa Branca. No início da vida adulta, após idas e vindas entre Salvador e Rio de Janeiro, cidade em que era muito procurado para consultas, Pai Air se fixou em Salvador para assumir a missão de manutenção de sua tradição religiosa. Em janeiro de 1961, fundou o Terreiro Pilão Prata (Ilê Odô Ogê), em terreno situado no Alto do Caxundé, bairro da Boca do Rio.
Mãe Caetana
Figura ímpar, elegante, bela, fina, de conhecimentos profundos e simpatia incomparável, sabedoria singular, era também modista, costureira e apreciadora das artes: tocava violino e não tinha compromisso com o tempo. Filha de Oxum, ela era a ‘Mãe dos Olhos D’Água’. Seus violinos, objetos pessoais e sagrados, indumentárias, estatuetas e sua grande trajetória, podem ser apreciados no Museu Lajuomim, inaugurado em 1994, no Terreiro Pilão de Prata.
A Praça Mãe Preta homenageia a memória de Mãe Caetana e todas as mães pretas que ajudaram com leite e trabalho a construir o Axé de nossa cidade. A praça é uma homenagem à mulher baiana, à cidadã negra, à alma negra da qual somos todos filhos, pois, afinal originamos da grande Mãe Preta a Mãe África.
“Para nós do terreiro, essa praça é um reconhecimento a Mãe Caetana, que muito trabalhou para Salvador no século passado. Eu me achei na obrigação de prestar essa homenagem a ela, para não cair no esquecimento.” Relata Pai Air.

Ficha técnica do monumento: