Texto: Thaís Seixas | Ascom FGM
Fotos: Sole Produções
A tarde desta quinta-feira (30) foi marcada por momentos de reflexão, salvaguarda e celebração da ancestralidade no Mercado Modelo, em Salvador. A Fundação Gregório de Mattos (FGM), por meio da Diretoria de Patrimônio e Equipamentos Culturais, realizou mais uma edição do projeto Patrimônio é…, desta vez com a temática “Mulheres na Capoeira”.
O debate foi sobre o papel histórico das mulheres na preservação, difusão e fortalecimento da capoeira, reafirmando a arte-luta como um patrimônio vivo e em constante movimento. A mesa contou com a presença de lideranças que compartilharam vivências, trajetórias e reflexões marcantes sobre a caminhada feminina e a diversidade no universo capoeirístico.

Para a Mestra Nani, a trajetória da mulher na capoeira é sustentada pela resistência e pelo legado das matriarcas. “A presença da mulher na capoeira não é recente, ela é histórica e ancestral. Nós construímos esse espaço com muita garra, mantendo vivos os ensinamentos, a musicalidade e a força das rodas. Estar aqui discutindo o nosso papel é reafirmar que a capoeira é um lugar de liderança, de respeito e de continuidade do legado das nossas matriarcas”.
A Mestra Geisa, por sua vez, ressaltou o caráter pedagógico e o compromisso comunitário que acompanham a vivência feminina. “A capoeira é um espaço de formação humana, de acolhimento e de transformação. Quando a mulher ocupa o lugar de mestra, ela traz consigo uma dimensão pedagógica e comunitária que fortalece toda a rede. Precisamos continuar ocupando esses espaços de fala e de decisão para garantir que as futuras gerações encontrem uma capoeira cada vez mais justa e diversa”.
Já a artista e capoeirista travesti Puma Camillé enfatizou a interseccionalidade, a liberdade dos corpos e a inclusão dentro da manifestação. “A capoeira é um corpo vivo em movimento que acolhe a pluralidade das nossas existências. Trazer a vivência de uma travesti para essa roda é mostrar que a capoeira é ferramenta de libertação, de cura e de afirmação de direitos. O nosso corpo também é patrimônio, é resistência e é parte integrante dessa história de luta”.

Patrimônio vivo e política cultural
O diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais da FGM, Vagner Rocha, destacou o impacto do debate e o papel da FGM na salvaguarda desse patrimônio imaterial. “Contamos com participantes incríveis, que trazem na própria história a capoeira para além da roda, enquanto ferramenta política de emancipação, de luta por direitos e de entendimento do que é ser no mundo. Foi um debate potente, que destacou o protagonismo feminino na capoeira, e o público estava muito atento e participando, então isso mostra o quanto foi importante para abrir reflexões, para a gente continuar valorizando a capoeira como um patrimônio cultural que precisa sempre de atenção para darmos continuidade ao legado de mestras e mestres que fazem essa arte viva”.

Assista na íntegra a edição do Patrimônio É…: