Texto: Ascom FGM
Fotos: Ricardo Prado
No segundo dia de atividades, a VII Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, promovida pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), ocupou a Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, para debater os caminhos da patrimonialização e prestar tributo a quem dedica a vida à restauração e salvaguarda do acervo histórico da Bahia.
Com uma programação diversificada, o evento abriu os trabalhos do dia reunindo especialistas, gestores culturais e o público interessado para o painel “Patrimônio Cultural e Fomento: estratégias para preservação, valorização e desenvolvimento”. A mesa contou com as contribuições da escritora Paloma Amado, da pesquisadora Aislane Nobre e da roteirista e diretora audiovisual Silvana Moura.
À tarde, a exibição do documentário “Alápini, a herança ancestral de Mestre Didi”, dirigida por Silvana Moura, deu espaço a um bate-papo com o público, reafirmando a importância da valorização do patrimônio imaterial e da ancestralidade afro-soteropolitana.

Homenagens
O ponto alto da programação foi marcado por forte emoção durante a entrega de homenagens a duas personalidades fundamentais para a preservação do patrimônio baiano: o restaurador José Dirson Argolo e o professor e pesquisador Mário Mendonça.
Com mais de 40 anos de trajetória dedicados à arte e ao restauro, José Dirson Argolo destacou o sentimento de gratidão e o vínculo com a capital baiana ao receber o reconhecimento da FGM.
“Eu estou muito emocionado, muito feliz, muito agradecido à Fundação Gregório de Mattos pelo recebimento dessa homenagem e pela confiança que eles depositam em mim e em minha equipe há quase 30 anos na restauração do patrimônio de Salvador. Eu sou um apaixonado por Salvador; me apaixonei por essa cidade quando aqui cheguei aos 17 anos. Acho que o restaurador nasceu dessa paixão que tenho pela minha cidade. Aos 82 anos, ainda estou trabalhando diariamente movido, por essa grande paixão que é a restauração do patrimônio de Salvador e do estado da Bahia”.

Já o professor Mário Mendonça pontuou a relevância do reconhecimento em vida e resgatou sua histórica ligação com a FGM:
“Ser homenageado é sempre uma alegria para a gente. Tenho uma ligação muito antiga com a Fundação Gregório de Mattos, porque o primeiro livro sobre fortificações de Salvador foi publicado pela Fundação, na época em que Chico Sena, meu ex-aluno, era presidente. Tenho toda satisfação em receber essa homenagem muito válida, porque a FGM é uma fundação muito conceituada e um dos baluartes na defesa da nossa cultura na Bahia”.
Acompanhando de perto a movimentação no evento, a gerente de Patrimônio da FGM, Roberta Ventura, celebrou o sucesso das atividades realizadas e reforçou o impacto das discussões para além do plano acadêmico.
“A Jornada está maravilhosa, acima de todas as expectativas. Emoção à flor da pele desde ontem, no Terreiro da Casa Branca, com falas potentes, complementares, necessárias e precisas. Tivemos uma mesa só de mulheres que foi um reencontro. Está sendo maravilhoso”.
A gestora aproveitou o momento para fazer um convite ao público para as atividades de encerramento da VII Jornada, reservadas para este sábado (22).
“Amanhã o foco é a educação patrimonial, mantendo esse ‘patrimonializar para quem e para quê’, com o entendimento de superação do pensamento eurocêntrico no campo do patrimônio. Vamos valorizar os saberes dos mestres, premiar sete mestres contemplados no edital Culturas Populares e realizar uma roda de conversa no formato tradicional do griô. À tarde, para fechar essa jornada maravilhosa, teremos a aula a bordo para entender Salvador a partir da Baía de Todos-os-Santos”.

A VII Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador conclui suas atividades no sábado (22), na Casa das Histórias de Salvador e a bordo de uma escuna pela Baía de Todos-os-Santos.