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Mediadores destacam diversidade de olhares nos GTs da Conferência Municipal de Cultura

Publicado: 05/11/2026-14:44

Produção: Thaís Seixas e Luiz Otávio Freire

Fotos: Lane Silva

Caminhos cruzados, vozes plurais e muita escuta ativa movimentam o segundo dia da 7ª Conferência Municipal de Cultura de Salvador. Reunidos em grupos de trabalho (GTs) para avaliar, revisar e atualizar o Plano Municipal de Cultura, mediadores e representantes da sociedade civil debatem os rumos das políticas culturais da capital baiana. O resultado das discussões passará, na sequência, pelo crivo da plenária geral, onde cada proposta será votada e validada coletivamente.

A diversidade de olhares que compõem a conferência se reflete na linha de frente dos debates e na condução dos grupos. Vivenciando o papel de mediação no Eixo 1 (Institucionalização, Marcos Legais e Sistema Municipal de Cultura), Lígia Mata Virgem destaca o exercício constante de escuta e a busca por consensos no grupo.

“A experiência foi bem interessante pela pluralidade e pelo aprendizado em conciliar divergências. Todos tiveram espaço para argumentar e souberam ceder em prol do coletivo, sem que ninguém saísse perdendo. Além disso, os participantes mais experientes respeitaram o tempo de quem estava vivenciando o processo pela primeira vez”, resume Lígia.

A multiplicidade de perspectivas também marca a atuação nos demais eixos estratégicos. Mediador do Eixo 6, dedicado a linhas de fomento e dados culturais, Moisés Victório aponta a riqueza de um grupo que une universos tão distintos quanto o livro e a leitura, o circo, as artes visuais e as manifestações tradicionais.

“O grupo é muito heterogêneo. Temos atores culturais de diversos setores, segmentos e territórios. Estamos focados em medir a equidade do plano até este quarto ano de execução e em entender como intervir – seja ampliando as ações previstas nas metas ou incluindo novas diretrizes -, com o intuito de assegurar direitos já adquiridos até a vigência final do plano, em 2032”, aponta Moisés.

Foto: Lane Silva

No Eixo 2, voltado à democratização do acesso e à participação social, a tônica é a inclusão territorial e conceitual. A mediadora Natália Leal ressalta o engajamento ininterrupto dos participantes desde o primeiro dia de debates.

“O que percebemos é um esforço profundo para tornar as ações das metas mais acessíveis à população, sobretudo aos artistas e grupos das periferias. Estamos destrinchando conceitos para detalhar com precisão quais grupos prioritários devem ser contemplados no contexto da diversidade cultural”, explica Natália.

Transversalidade

A centralidade dos direitos e da cidadania cultural ganha ainda mais força no Eixo 4, que aborda a transversalidade de gênero, raça, acessibilidade, infância, juventude, idosos e pessoas com deficiência. A mediadora Tábatta Kim chama atenção para o protagonismo histórico exercido pelo segmento de pessoas com deficiência no grupo.

“Elas estão super articuladas e atuando diretamente como sujeitos políticos da decisão cultural. É um processo extremamente proveitoso, onde conquistam autonomia para reivindicar acessibilidade na cultura a partir da perspectiva de quem vive essa realidade diariamente”, pontua Tábata.

Foto: Lane Silva

Fechando o panorama dos eixos temáticos, o Eixo 5 mergulha na economia criativa, sustentabilidade, emprego e renda. A mediadora Renata Reis relata que o grupo tem exercido um rigoroso trabalho técnico, costurando propostas que dialogam diretamente com a realidade de Salvador.

“Reunimos representantes de várias linguagens, como moda, comunicação, teatro e dança. Estamos avaliando o que já foi construído nas metas e ações anteriores para atualizá-las de acordo com o contexto de cada segmento criativo da cidade”, resume Renata.

Com o encerramento dos trabalhos nos grupos temáticos, a conferência entra agora em sua fase decisiva. As propostas lapidadas pelos mediadores e participantes descem para a plenária geral, onde cada voto definirá as diretrizes e atualizações que guiarão a política cultural soteropolitana para os próximos anos.