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Tombamento da Casa de Ògún em Salvador completa dois anos

Publicado: 13/06/2024-16:28

Fernando Guerreiro, Chicco Assis, Luzia Mangabeira, Raimundo Mangabeira, Vagner Rocha e Tony Bittencourt

Foto: Carla Lucena – FGM

Reportagem: Luiz Pedro Passos

Considerada como um símbolo de resistência de africanos e seus descendentes na cidade de Salvador, a Casa de Ògún, único templo no Brasil a celebrar apenas um orixá, comemorou nesta quinta-feira (13), o aniversário de dois anos de tombamento do espaço como patrimônio histórico-cultural do município. As celebrações reuniram representantes da casa, fiéis e autoridades, a exemplo do presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro e do vereador Sílvio Humberto.

O decreto de tombamento da casa foi assinado em 13 de junho de 2022, pelo prefeito Bruno Reis. O ato considerou, dentre outras coisas, o culto familiar com mais de duzentos anos, conduzido por Dona Hilda de Santana Querino (Mãe Didi). A partir dessa decisão, o município tem a obrigação de salvaguardar o sítio de matriz africana, mantendo viva a tradição afro-brasileira.

Sendo assim, qualquer intervenção pretendida para a casa ou a sua área de entorno, deverá ser precedida de análise, sujeita à aprovação e posterior acompanhamento, no intuito de que sejam valorizadas as feições paisagísticas do bem tombado e preservado o culto de expressão afro-brasileira, inclusive no direito de privacidade de práticas ancestrais.

O processo de tombamento, bem como o trabalho posterior de proteção da casa e das suas práticas culturais, são também realizados pela Fundação Gregório de Mattos. Sobre esse aspecto, o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, ressaltou a atuação da instituição, destacando que vem promovendo ações para assegurar a preservação e conservação do bem.

Os representantes da Casa de Ògún, Luzia Mangabeira e Raimundo Mangabeira, pontuaram a relevância do tombamento para o cuidado e a manutenção das tradições cultuadas, além da proteção ao assentamento, localizado no Candeal. Ademais, conforme os dois, o tombamento propiciou a união da comunidade.

Nicho em homenagem a Ògún

Valorização do Patrimônio afro-brasileiro

A FGM instalou no local um nicho em homenagem a Ògún, com a finalidade de valorização do patrimônio afro-brasileiro. Ação semelhante também foi feita com a instalação do portal da entrada do terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe – Curuzu e do pórtico metálico “Painel Ijexá”, no Ilê Asé Kalè Bokùn – Plataforma. As três obras foram criadas exclusivamente pelo artista J. Cunha.