Reportagem: Luiz Pedro Passos
Fotos: Patrícia Moreira
O Polo Cultural Boca de Brasa – Cajazeiras, foi palco da 4ª edição do “Boca de Brasa Apresenta”, iniciativa que faz parte do Programa Boca de Brasa de Aceleração de Iniciativas Culturais e Criativas 2024. O evento aconteceu na última sexta-feira (18) e contou com a participação de artistas e coletivos que mostraram suas produções desenvolvidas ao longo do programa. As manifestações ocuparam o palco e o foyer do espaço com uma programação multilinguagem.

Mantido pela Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Renda, o Boca de Brasa já se consolidou como um importante programa para a defesa e promoção de uma política que fomenta a cultura nas periferias como instrumento de existência, resistência e resiliência. Para Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), o programa representa um marco para a comunidade de Cajazeiras. “Cajazeiras é uma comunidade muito potente, e o Boca de Brasa mantém aqui, para ampliar essa potência, um espaço cultural que permite que a classe artística local se reúna, se apresente e interaja com o público. E com o Boca de Brasa Apresenta a gente tem a oportunidade de ver o que eles estão fazendo e discutir os resultados desse trabalho”, afirmou Guerreiro, destacando a relevância do projeto para a valorização da cultura local.
Chico Assis, diretor de patrimônio e equipamentos culturais da FGM, também enfatizou o papel do Boca de Brasa na promoção da arte local. “O Boca de Brasa Apresenta é uma vitrine para os artistas acelerados, um espaço onde eles podem se conectar com o público, difundir seus produtos e trocar experiências com outros artistas. Esse contato direto é fundamental para o desenvolvimento cultural da cidade”, explicou.
Entre os artistas presentes, a alegria foi visível. Anelie, trancista e uma das expositoras da noite, ressaltou a importância do Boca de Brasa em sua trajetória: “Participo desde 2023 e me sinto muito feliz por estar aqui. É um espaço de troca, onde conhecemos novos artistas e empreendedores. Este ano, tive a oportunidade de expor meu trabalho de uma maneira que nunca imaginei, trazendo a trança para além do salão, para ser vista como arte e parte do patrimônio cultural de Salvador”, disse ela.

O grupo Jaca Sarau, com 15 anos de atuação em Cajazeiras, também foi destaque. Rafa, um dos integrantes, falou sobre o impacto do programa de aceleração no desenvolvimento do coletivo: “O Boca de Brasa nos ajudou a nos conectar com outras organizações, identificar áreas de melhoria e nos estruturarmos melhor. Estamos indo para Angola em novembro para trocar experiências culturais. É uma oportunidade incrível de aprendizado e crescimento”, contou.
Outro depoimento marcante veio de Nubro, que além de colaborar com o projeto, também foi professor de sonorização no Boca de Brasa Valéria em 2023. “O Boca de Brasa é muito mais do que um espaço de arte. Ele aproxima artistas que muitas vezes nem se conhecem, mesmo morando perto. Para mim, o Boca de Brasa tem uma importância no sentido de descentralizar a arte e levar a cultura para as periferias, como estamos fazendo aqui em Cajazeiras”.
O evento, que integra as atividades de aceleração artística promovidas pelo Conexões Criativas, em parceria com a FGM e a SEMDEC, mostra a força e a diversidade da produção cultural de Salvador, sobretudo em áreas periféricas como Cajazeiras, que vêm ganhando espaço e visibilidade graças a iniciativas como o Boca de Brasa.











