Reportagem e fotos: Thaís Seixas
O título ‘Eu sou Boca de Brasa’ foi entregue a 35 iniciativas criativas e culturais que participaram do projeto da Fundação Gregório de Mattos (FGM) em diferentes polos criativos distribuídos por Salvador. Do total, 20 iniciativas estiveram no programa de incubação e 15 no de aceleração de projetos. A cerimônia de entrega da placa foi realizada na tarde desta quinta-feira (27), no Café-Teatro Nilda Spencer, na Barroquinha.
Uma das artistas contempladas foi a atriz Dellen Azevedo, de 24 anos, que participou do Acelera Boca de Brasa, programa de aceleração de iniciativas culturais. Ela revela de que forma a iniciativa marcou a própria trajetória artística.
“Participar do Acelera Boca de Brasa abriu um leque para mim, foi uma virada de chave. Eu fui mãe jovem, aos 17 anos, e estava muito parada no momento de ‘ser mãe’, não conseguia desvincular a Dellen mãe da Dellen atriz. Com as oficinas e o percurso do Acelera, eu consegui entender quem eu era neste lugar de artista e as outras possibilidades para essa Dellen. Foi um divisor de águas”, ressalta.
Já a cantora Andrezza destaca que o projeto possibilitou que era tivesse um novo olhar sobre a carreira. “Tudo o que eu vivi no Acelera foi importante para, hoje, eu estar aqui, compreendendo o que é o mercado, para fazer de uma maneira coerente com a nossa realidade. O programa foi muito honesto, desde as oficinas, os encontros, as palestras, as trocas com as pessoas, com as outras iniciativas, tudo foi importante para, hoje, eu ter mais consciência de quem eu sou, onde eu quero chegar, o que eu tenho feito”
Quem também recebeu o reconhecimento no evento foi a multiartista Duda Maria, que é cantora, compositora, poeta e atriz. Para ela, o Boca de Brasa é responsável por revelar novos talentos na cena cultural de Salvador, por meio de uma formação completa.
“Minha participação no programa foi muito especial. Esse foi um dos programas mais bonitos que eu já estive, em função do cuidado com a gente, como artista em formação, entender as nossas potências e as nossas vulnerabilidades, e conseguir trabalhar nisso de uma forma espetacular. Faz a gente acreditar mais ainda do nosso sonho. O Boca de Brasa é um facilitador de novos ingressos na cena da arte de Salvador e, quem sabe, do Brasil. Somos muito competentes e dedicados, e ter esse tipo de formação faz com que a gente chegue a lugares que já deveria ter ocupado antes. Nos fortalece”, revela.

O presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, relembrou o momento de retomada do Boca de Brasa, que foi criado na década de 1980 e voltou com novidades em 2014. “O projeto Boca de Brasa é a menina dos olhos da FGM. Cheguei na Fundação em 2013, fiz uma pesquisa informal e todo mundo pediu o Boca de Brasa de volta, porque ele estava na memória afetiva da cidade. É um projeto que veio para ficar e estamos pensando em mais novidades ainda para 2025”, adiantou ele.
Instituições parceiras
Além das iniciativas criativas e culturais, também receberam o título ‘Eu sou Boca de Brasa’ cinco instituições parceiras: Organização de Auxílio Fraterno (OAF), Malê Debalê, Terreiro do Gantois, Sesi e Associação Fábrica Cultural.
O diretor-presidente da OAF, Jozias Sousa, explica que todos são beneficiados com a parceria com a FGM. “Receber esta homenagem nos dá uma certificação de que estamos no caminho certo, fazendo a coisa certa para o público-alvo, que são os projetos alcançados pelo Boca de Brasa. É um programa espetacular, que nos permite alcançar as pessoas com educação, cultura e arte, que formam o cidadão e a cidadã”, enfatiza.
