Matéria: Luiz Pedro Passos
Foto: Caio Lírio
A 8ª edição do Movimento Boca de Brasa abriu oficialmente as comemorações pelo aniversário de 476 anos de emancipação política de Salvador. Na noite desta quinta-feira (27), as atividades começaram com um espetáculo que celebrou a diversidade cultural que caracteriza e distingue a primeira capital do Brasil. Para isso, o festival, que se destaca por lançar luz e dar visibilidade aos talentos da periferia, preparou uma apresentação vibrante, cheia de luzes e cores.
Dos versos e canções à poesia provocativa do slam, passando pela moda, teatro e a música, Salvador se fazia presente e representada. A cidade foi exaltada na diversidade de corpos e na mistura das expressões artístico-culturais que foram apresentadas com sotaque e o ritmo marcante dos atabaques. Em cena, mais de 60 artistas, originários dos diversos Polos Boca de Brasa espalhados pela cidade, formaram um grande mosaico cênico que tomou as escadarias da Barroquinha e o pátio Iyá Nassô, epicentro da celebração.




Dessa forma, a periferia assumiu o protagonismo nas comemorações do aniversário de Salvador, conforme aponta o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro. “Nós trouxemos a periferia para ser o centro das celebrações”, ressalta. O gestor destacou ainda a importância dos artistas periféricos no Movimento Boca de Brasa. “Todos os artistas que estão envolvidos, além daqueles artistas que naturalmente já estão no Boca de Brasa, todos eles têm uma relação muito forte com as comunidades”, pontuou.
Mas o espetáculo, assinado por Elivan Nascimento e Jorge Alencar, com direção musical de Luciano Salvador Bahia, também teve como proposta evidenciar a força e a potência da periferia, abordando temas como resiliência e protagonismo.
“Quando trazemos essa juventude, especialmente a juventude preta, para espaços institucionais como este, estamos ressignificando narrativas sobre esses corpos e a arte que eles produzem na sociedade. Essa união e representatividade retratam o Movimento Boca de Brasa”, afirma Elivan.
O espetáculo de abertura foi acompanhado de perto pelo prefeito Bruno Reis, vereadores e demais autoridades. Na oportunidade, o prefeito recordou sobre o processo de implantação dos espaços Boca de Brasa por Salvador, reafirmando o seu compromisso pela ampliação e fortalecimento do Programa.
“Durante a votação do Plano Municipal de Cultura, estava previsto que, em dez anos, seriam implantados dez espaços Boca de Brasa — um por ano. No entanto, só nesta gestão, o número de unidades saltou de quatro para onze, superando a meta do plano”, comemorou o prefeito, anunciando que a expansão vai continuar:
“Este ano, vamos inaugurar mais quatro espaços, um localizado na sede do Ilê Aiyê, na Liberdade; um na Boca do Rio; outro no Subúrbio, onde está sendo finalizado um centro cultural com estrutura para grandes apresentações; o quarto será no Centro de Interpretação da Mata Atlântica, ao lado da Igreja do Bonfim”.




Com isso, a Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos, que mantém e executa o Programa Boca de Brasa, vai continuar cumprindo o seu papel, que é o de transformar vidas através da arte e da cultura, fazendo o que já fez pela história de Rose Ratinha, integrante do Boca de Brasa do Gantóa, na Federação.
Para Rose Ratinha, percussionista e líder do grupo Filhas do Som, o Boca de Brasa foi uma grande oportunidade. Graças ao projeto, ela pôde gravar videoclipes com seu grupo e desenvolver ainda mais a sua trajetória na música. Antes, sua rotina como trabalhadora CLT a impedia de participar de iniciativas culturais como essa. Hoje, vivendo exclusivamente da música, ela busca aprimoramento contínuo e compartilha seus conhecimentos como professora de percussão, ministrando aulas para mulheres.
“Quando eu saí da vida de CLT, entendi que havia chegado a minha vez, então comecei a abraçar as oportunidades de aprendizado. Como eu sou professora, eu busco também aprender com os professores, até porque a gente está sempre em movimento, está sempre tendo que aprender para conseguir compartilhar conhecimento. É essa oportunidade que o Boca de Brasa também me oferece”, afirma.
A programação do Movimento Boca de Brasa segue nesta sexta-feira (28), com uma série de atividades. Confira:
13h às 19h: Exposição Boca de Brasa em Movimento | Foyer do Teatro Gregório de Mattos | Visitas mediadas: 16h30 e 18h30
14h às 22h: Feira de economia criativa | Rua do Couro e Café Nilda Spencer
15h às 16h30: Podcast Potências da Periferia – Ep 01: O Poder dos Coletivos Artísticos nas Periferias |
Espaço Cultural da Barroquinha
17h às 18h30: Podcast Potências da Periferia – Ep 02: Empreendedorismo do Futuro | Espaço Cultural da Barroquinha
19h: Humor É Coisa de Mulher | Teatro Gregório de Mattos
20h30: Vitrine Boca de Brasa: Andrezza | Pátio Iyá Nassô
21h: Hiran canta Brown – Participações de Majur e Nininha | Pátio Iyá Nassô