Reportagem: Thaís Seixas
Fotos: Carla Lucena | Ascom FGM
Denunciar a violência explícita contra a mulher, mas também ampliar o olhar do público para as situações cotidianas que, nem sempre, são entendidas como agressão, assédio ou abusos físicos e psicológicos. Esta é a proposta do espetáculo Reflorescer Mulher, que estreou nesta quinta-feira (10), no Teatro Gregório de Mattos, e realiza outras duas apresentações nesta sexta (11), às 15h e às 17h.
Fruto da parceria entre a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) e a Fundação Gregório de Mattos (FGM), a montagem foi criada pela atriz Alethea Novaes, como forma de criar um espaço para reflexão, denúncia e acolhimento em relação ao tema abordado.
“Eu tinha feito uma peça com texto de Lígia Fagundes Teles, que tratava do feminicídio. Na época, eu via a inquietação das pessoas com o tema, e a gente acompanha as notícias todos os dias. Então achei muito oportuno a gente, através do teatro, discutir, alertar, conscientizar, trazer uma certa orientação e a valorização da autoestima. É uma oportunidade de não só denunciar, mas procurar caminhos de combater”, enfatiza Alethea.
A peça mostra as histórias de cinco mulheres, que vivem ou viveram relacionamentos amorosos abusivos e que não se sentem livres para viverem a própria essência. Ajudando umas às outras, elas vão se descobrindo e se libertando dos fatores que as prendem aos companheiros. Situações de agressão, chantagem emocional, traição e vício motivam as protagonistas a tomarem decisões importantes para os próprios destinos.
O presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, ressalta a função social do teatro ao tratar de temas como este. “É muito importante quando o teatro consegue estar relacionado a uma causa. A peça fala de um tema importantíssimo, que é a questão da violência contra a mulher. É uma parceria entre a Secretaria de Políticas para Mulheres e a FGM para, através desse espetáculo, comunicar e levantar essas questões do feminicídio e da violência contra a mulher. Há uma expectativa muito positiva para que esse espetáculo possa gerar desdobramentos, discussões, debates e ser apresentado outras vezes”.
Para a diretora de Política para Mulheres da SPMJ, Fernanda Cerqueira, o teatro é uma importante aliada no processo de educação, orientação e disseminação de temas como a violência contra a mulher. Ela destaca a importância de outros meios para o compartilhamento de informações com o público geral.
“É importante que as pessoas, por meio de diversos veículos, tenham informação e se sensibilizem, principalmente em relação a esta causa, porque a violência contra a mulher é um problema real da sociedade. A gente tem que usar todos os mecanismos necessários para a erradicação dessa forma de violência. Esse espetáculo é voltado ao público em geral, homens e mulheres, porque essa violência é relacional, principalmente a violência doméstica e familiar”, explica.

A iniciativa também contou com o apoio da Secretaria Municipal de Gestão (Semge) na mobilização de servidoras e servidores para prestigiarem as apresentações. Segundo a subsecretária Rafaella Pondé, a peça pode contribuir para as espectadoras identificarem situações pessoais, mas também em relação a outras mulheres que estejam sofrendo algum tipo de violência.
“Momentos de reflexão e conversa como esse são importantes porque, às vezes, tem alguém do outro lado que está passando por aquilo. Assistindo a uma situação como essa e vendo que existem soluções, a pessoa cria coragem para tomar um novo rumo na vida. A arte tem esse poder de fazer com que as pessoas reflitam e possam ajudar quem passa por esse problema”, analisa.
‘Reflorescer Mulher’ tem direção de Marcelo Flores, dramaturgia de Claudia Barral e argumento original e atuação de Alethea Novaes. No elenco, atrizes convidadas interpretam diferentes formas de violência familiar – física, psicológica, patrimonial, sexual e moral. O cenário, concebido pelo diretor Marcelo Flores, conta com elementos visuais criados pela artista Célia Peixoto.







