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CEU de Valéria e Subúrbio 360: onde a comunidade vira protagonista

Publicado: 24/04/2025-16:27

Texto: Eduardo Costa | Supervisão: Thaís Seixas

Foto: Eduardo Costa | Ascom FGM e Divulgação

A cultura impacta diretamente a vida das pessoas, seja para construção ou manutenção da sua identidade como ser humano. Salvador é um exemplo de cidade que está em constante movimento da cena cultural, com a oferta de atividades diversificadas para a população.

Exemplos deste movimento são o Subúrbio 360 e o CEU de Valéria, que abrigam iniciativas como o Boca de Brasa. Os espaços abrigam não só apresentações artísticas, como também são ambientes de aprendizado, troca de experiências, eventos e serviços para toda a comunidade. Por lá, o talento ganha palco, a educação ganha voz e a cultura encontra novos caminhos para se espalhar, tudo isso com a participação de moradores da região.

A população da localidade abraçou o Subúrbio 360, segundo o coordenador do Polo Boca de Brasa, Tiago Chaves. “As pessoas recebem bem, vindo aqui para assistir os espetáculos. Já os artistas que se apresentam aqui têm um bom público, e reconhecem o local como necessário dentro do seu território para a realização não só de apresentações mas também de ensaios. Então há essa referência como um polo artístico mesmo”.

Além do Polo Boca de Brasa Subúrbio, o local é composto por outras três instituições que prestam importantes serviços à população: o CREAS, que realiza atendimentos a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos; a Apae, que oferece suporte a pessoas com deficiência física, intelectual e múltipla; e a Escolab, que atua como complemento às escolas que não possuem ensino em tempo integral, promovendo uma formação mais ampla para os estudantes.

A vice-diretora da Escolab, Rosângela Santos, compartilha mais sobre o trabalho realizado no local. “Trabalhamos com alunos na faixa de 7 a 13 anos, que vêm das escolas municipais e completam o tempo integral aqui. Quem estuda na escola regular pela manhã vem para a Escolab à tarde, e vice-versa. E aí existem essas atividades culturais que são feitas no teatro, sejam atividades planejadas pelos professores, ou algumas que a gente chama de mais lúdicas mesmo, mais prazerosas”.

Além das atividades durante o dia, Rosângela conta que outras ações são realizadas para a comunidade no período da noite. “À noite tem os cursos que são oferecidos à comunidade. Então, tem diversas oficinas de canto, de dança, de teatro, e os esportes também, várias oficinas esportivas, capoeira, taekwondo, jiu-jitsu”.

Jean Damasceno, professor de jiu-jitsu, acompanhava uma turma da Escolab durante a exibição de um filme no teatro. Ele aproveitou a oportunidade para exaltar a importância do espaço, onde trabalha há cerca de cinco anos. “É de fundamental importância, na realidade, poder trazer uma forma de vida para essas crianças, um lazer e educação. Isso promove um direcionamento melhor para a vida, é algo fantástico”.

Já o CEU de Valéria registrou mais de 49 mil atendimentos no ano passado, de acordo com o coordenador do equipamento, Délio Lima. Ele diz que o ambiente deu um novo aspecto para um local que estava esquecido. “O CEU trouxe vida a uma área que era morta, utilizada por dependentes químicos. Hoje a comunidade sabe que será acolhida aqui no espaço. Eles têm a certeza que podem contar com a gente”.

O CEU de Valéria também se destaca por sua atuação em diferentes áreas. Na cultura, por meio da biblioteca e do espaço Boca de Brasa; na assistência social, com a presença do CRAS; no esporte e lazer, com atividades como futebol, jiu-jítsu, capoeira e vôlei; e no trabalho, com o Serviço de Intermediação de Mão de Obra (SIMM), que conecta moradores a oportunidades no mercado de trabalho.

O artista Yan Almeida, que faz parte do Grupo Dinastia Dugueto, costuma utilizar o CEU de Valéria aos fins de semana para realizar eventos voltados à comunidade. “Geralmente utilizamos o Teatro do Boca de Brasa nos dias de sexta e sábado, porém, quando não há a possibilidade, pegamos alguma sala multiuso, utilizamos a área externa ou a quadra poliesportiva. Aproveitamos a estrutura do espaço para diversas atividades com a comunidade, como workshops, oficinas de dança e de teatro e, até mesmo, as exposições dos nossos espetáculos”.

Da mesma forma, o ambiente do Subúrbio 360 proporciona o crescimento de diversos artistas, como é o caso do cantor Samuel Sãn, morador da região do Subúrbio e que costuma se apresentar no teatro. Para ele, o reconhecimento da população é algo que o faz sentir mais valorizado.

“Algumas pessoas têm aquela reação de mudar o pensamento, principalmente aqueles que me ignoravam, passam a me prestigiar e valorizar, aí você consegue conquistar um público maior do que você tinha. Tem também aquelas que se aproximam, chegam com mais respeito, com a visão mais ampla, vendo a gente como um artista”.

Os moradores de ambas as regiões também utilizam bastante as quadras poliesportivas dos locais. Entre 21h e 2h, diversos grupos se dividem para jogarem os ‘babas’ ou realizarem outras atividades esportivas.

Foto: Divulgação