Reportagem e fotos: Thaís Seixas
Ela subiu ao palco montado no Pátio Iyá Nassô, na Barroquinha, para mostrar por que é a ‘mamacyta’ do pagodão baiano. Atração musical do primeiro dia de atividades do Movimento Boca de Brasa, nesta quinta-feira (27), a baiana Aila Menezes reúne música, dança e militância a favor da diversidade. Não é à toa que nome do projeto comandado pela artista é o Baile de Todas as Cores. Lá, todo mundo é livre para ser o que quiser e, claro, para dançar um pagode empoderado.
Aila Menezes evidencia a identificação direta com o Boca de Brasa, festival que destaca a potência da periferia. “Eu me sinto protagonista. É um movimento do qual faço parte. Muitas pessoas não sabem da minha história de vida, mas eu sou mulher periférica, vinda de São Marcos, de Pau da Lima, nascida e criada lá a vida inteira. E não é à toa que eu escolhi o pagode como o gênero que tanto me representa, que fala tanto por mim e pelas minhas rebeliões, pelas minhas bandeiras”, afirma.
Além das letras que reafirmam o papel da mulher não só na música, mas em todos os setores da sociedade, a artista convida o público a se divertir com coreografias dançantes e aquela típica malemolência baiana, misturando pagode, pop e outros ritmos presentes na terra do axé.

E esta foi a proposta que deu o tom à apresentação no festival. “Estar aqui, em um lugar que me abraça, abraça as minhas causas e a diversidade da periferia é muito feliz para mim. É uma bússola muito importante na minha vida e na minha carreira, me dizendo que eu estou sendo lida da maneira que gostaria. Eu gostaria que a periferia me olhasse e me visse como uma irmã. Eu sou isso, e estar no Boca de Brasa me deixa muito feliz”. revela.
Do Boca de Brasa para os palcos
A programação musical do primeiro dia ficou completa com o rapper Odillon, que conhece o Boca de Brasa de perto. O artista fez parte do programa em 2023, na Escola Criativa – Polo Cidade Baixa, e também foi um dos 15 contemplados pelo Acelera Boca de Brasa no ano passado.
“Eu posso dizer que existe um Odillon antes do Boca de Brasa e um depois, porque esse projeto trouxe para mim uma visão empreendedora sobre a minha profissão e a cultura. Eu trabalho como profissional da cultura, entendendo que, para além da arte, a gente tem que entender do negócio, das estruturas e de todas as questões. Não é só o fazer artístico, a gente tem a gestão de tudo isso”, enfatiza o cantor.

Para o show na Barroquinha, Odillon não prometeu nada mas entregou tudo. “A melhor parte é cantar para o público, me apresentar. Estou em uma semana de ensaios e preparei uma apresentação especial. Estou na Vitrine de Boca de Brasa, a gente tem o palco para fazer um pocket show e eu vou fazer todo mundo dançar. É um show bem animado”.
Programação
A programação do Movimento Boca de Brasa segue nesta sexta-feira (28), com uma série de atividades. Confira:
13h às 19h: Exposição Boca de Brasa em Movimento | Foyer do Teatro Gregório de Mattos | Visitas mediadas: 16h30 e 18h30
14h às 22h: Feira de economia criativa | Rua do Couro e Café Nilda Spencer
15h às 16h30: Podcast Potências da Periferia – Ep 01: O Poder dos Coletivos Artísticos nas Periferias |
Espaço Cultural da Barroquinha
17h às 18h30: Podcast Potências da Periferia – Ep 02: Empreendedorismo do Futuro | Espaço Cultural da Barroquinha
19h: Humor É Coisa de Mulher | Teatro Gregório de Mattos
20h30: Vitrine Boca de Brasa: Andrezza | Pátio Iyá Nassô
21h: Hiran canta Brown – Participações de Majur e Nininha | Pátio Iyá Nassô