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FGM apresenta e entrega ações de valorização e salvaguarda para Festa de Iemanjá

Publicado: 31/01/2025-13:39

Reportagem: Eduardo Costa

Supervisão: Luiz Pedro Passos

Em evento realizado na última quinta-feira (30), a Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, apresentou e entregou um conjunto de ações que valorizam e protegem a Festa de Iemanjá. A ação, que aconteceu na Colônia de Pesca Z1 no Rio Vermelho, teve o objetivo de celebrar os cinco anos do reconhecimento da manifestação como Patrimônio Imaterial do município.   

A programação iniciou com a roda de conversa do Projeto Patrimônio É… Especialistas, convidados para o momento, discutiram as diversas dimensões da Festa de Iemanjá, que acontece há 103 anos em Salvador e há cinco é oficialmente reconhecida como Patrimônio Imaterial da cidade. Dentre eles, Cleidiana Barbosa, jornalista e doutora em antropologia, que abordou a relevância da festa para Salvador e para as religiões afro-brasileiras: “A Festa de Iemanjá é única no Brasil e merece ser reconhecida como patrimônio imaterial. Ela representa a devoção e resistência de uma comunidade que permanece viva, mesmo diante de desafios como a intolerância religiosa”, afirmou. 

A pesquisadora e produtora cultural, Mércia Queiroz, fez uma análise sobre a participação dos pescadores na organização da festa e a importância de preservar os ritos originais. “A festa envolve não apenas a religião, mas também o mercado de produtos de santo e a economia criativa ao redor da celebração”, explicou Mércia.

Walter Pinto, Secretário de Cultura de Salvador, destacou o papel fundamental do poder público na preservação do patrimônio cultural da cidade. Durante sua fala, ele refletiu sobre o apagamento histórico que muitas vezes afeta manifestações culturais de origem afro-brasileira. “O poder público deve cuidar desse patrimônio, promovendo sua salvaguarda e patrimonialização. Hoje estamos respondendo a um histórico apagamento, reafirmando o compromisso da Prefeitura de Salvador com a preservação e valorização da nossa cultura”, afirmou. 

Ainda dentro da programação do evento, houve a entrega simbólica da requalificação das embarcações que conduzem as oferendas, além da apresentação do Plano de Salvaguarda da Festa de Iemanjá. A primeira iniciativa foi viabilizada por meio de  convênio entre a FGM e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), executada por meio de parceria com a Associação dos Terreiros da Bahia Egbé Axé. De acordo com Chicco Assis, diretor de patrimônio e equipamentos culturais da FGM, “os barcos restaurados representam o cuidado com a cultura e a história de Salvador”. 

A técnica de patrimônio imaterial do IPHAN, Rebecca de Luna Guidi, ressaltou a importância da parceria com a FGM: “Essa colaboração fortalece nosso compromisso com a preservação e assegura que a festa continue sendo um símbolo de nossa identidade e cultura”. 

Na oportunidade, também foi entregue a restauração da imagem de Iemanjá. Realizado pelo Instituto Argolo, a escultura passou por um minucioso trabalho de recuperação. 

Na ação também aconteceu a entrega do Prêmio Salvador Cidade Patrimônio, com o reconhecimento de personalidades e grupos que contribuem para a preservação das tradições culturais da cidade. Entre os premiados estavam representantes do samba junino, mestres carpinteiros navais, pescadores, além dos trabalhadores do famoso cafezinho de Salvador. 

Renata Rodrigues, premiada pelo samba junino, disse que o prêmio valoriza essa manifestação cultural. “Este prêmio é essencial para o samba junino, uma cultura que ganha mais visibilidade e reconhecimento”. 

Cris Café, premiada na categoria cafezinho, também expressou sua gratidão: “Esse prêmio é fundamental para fortalecer nossa cultura. O cafezinho de Salvador merece ser preservado e reconhecido”, disse ela. 

A programação cultural contou ainda com a participação das Filhas de Gandhi, que abrilhantaram o evento com suas danças e cânticos, representando o espírito da Festa de Iemanjá e a força da cultura afro-brasileira em Salvador.