Foto: Carla Lucena – ASCOM FGM
Reportagem: Luiz Pedro Passos – ASCOM FGM
Entre os dias 07 e 11 de agosto, a Flipelô 2024 movimentou os espaços e as ladeiras do Pelourinho, levando arte e cultura para baianos e turistas. Com uma programação rica e variada, que foi desde a realização de palestras e rodas de conversa, contemplando saraus, espetáculos teatrais e musicais até lançamento de livros, a Feira se consolidou como um importante evento do calendário de festas de Salvador.
Dada a grandiosidade e relevância do evento, a Fundação Gregório de Mattos, desde a primeira edição, marca presença na Flipelô com atividades voltadas para o público infantojuvenil, além de oportunizar discussões sobre temas que fazem um recorte sobre gênero e raça. Neste ano, a FGM integrou a programação através da participação da Casa do Benin e da Casa Kaê Erê.
Representatividade e resistência, literatura erótica feminina, a literatura baiana que desabrocha e faz pensar, além de música e culinária, marcaram as ações especialmente programadas pela Casa do Benin para essa edição da Flipelô. Mais do que falar sobre arte e literatura, a Casa fez um potente movimento político que tirou da margem debates que muitas das vezes são interditados pela sociedade. Foi o caso, por exemplo, da Roda de Conversa sobre “Literatura erótica feminina”.
Com verso e prosa, Daniela Galdino, Gonesa Gonçalves e Anajara Tavares fizeram o público refletir sobre o lugar da mulher na poesia erótica, trazendo para o centro um olhar sobre os corpos negros que ocupam esse território, tratando sobre vivências, experiências e afetividades, conforme ressalta a poeta Gonesa Gonçalves, destacando que a sua poesia aborda sobre corpos que, segundo ela, nunca foram vistos como eróticos. “Eu falo do erótico junto com o amor preto. Corpos pretos que se amam e se desejam”, reflete.
A poesia erótica é expressa por mulheres diversas, que assumem um compromisso político com a sua escrita. Com uma linguagem que aponta para a transgressão, esse gênero textual ajuda a discutir sobre machismo e patriarcado na sociedade. “Muitas das vezes, essas mulheres serão confundidas com os textos que escrevem”, observa a poeta e pesquisadora, Daniela Galdino, manifestando o incômodo causado por homens que se sentem autorizados a extrapolar determinados limites pela falsa interpretação de que o poema seria uma extensão do corpo da artista.
Casa Kaê Erê – Já na Casa Kaê Erê, sediada na Igreja Ordem Terceira de São Francisco, no Pelourinho, o público infantojuvenil acompanhou apresentações e contações de histórias, saraus e peças teatrais, além de momentos lúdicos e interativos. A participação da Casa se dá dentro do programa de fomento à leitura desenvolvido pela FGM.
Na Flipelô, a Casa deu forte destaque à literatura infantil, especialmente aquela com foco na escrita negra. De acordo com a Gerente de Bibliotecas da Fundação, Jane Palma, ao escolher promover e enaltecer a escrita negra voltada para crianças, a FGM ajuda a reconhecer a diversidade que existe em Salvador, mas, de igual modo, busca desenvolver nas crianças valores como o do respeito, do saber se posicionar, conhecer e afirmar a sua identidade.
Nessa perspectiva, a Casa levou para a Flipelô a contação de Histórias Negras, criada para estimular o interesse pela leitura e fomentar a literatura afrobrasileira infantojuvenil baiana. A autora do livro Dandara, cadê você?, Márcia Mendes participou desse espaço. Através dela, crianças de escolas públicas da rede municipal de ensino de Salvador puderam conhecer a narrativa que conta a história de uma menina que busca na ancestralidade o sentido de seu nome e de sua vida.
A professora Isabel Guaraná, que acompanhava uma turma de educação infantil da Escola Municipal João Lino durante essa atividade, avaliou a iniciativa de forma positiva. Para ela, momentos como esses colaboram para que as crianças se reconheçam e se aceitem.