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Jornada celebrou os dez anos da Lei do Patrimônio de Salvador

Publicado: 07/10/2024-15:35

Foto: Anderson Moreira – FGM

Reportagem: Luiz Pedro Passos – ASCOM FGM

Com um público diverso, formado por pesquisadores, estudantes, trabalhadores da cultura e membros de comunidades tradicionais, como pescadores, ribeirinhos, quilombolas e praticantes de religiões de matriz africana, a V Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, organizada pela Prefeitura, por meio da Fundação Gregório de Mattos, celebrou o Dia Nacional do Patrimônio Cultural, 17 de agosto, e os 10 anos da Lei nº 8.550/2014, que estabeleceu normas para a proteção e preservação do patrimônio cultural do município. 

Com o tema ‘Legado Afro-Soteropolitano: Fé, Festa e Outras Frestas’, o evento, que ocorreu nos dias 20 e 21 de agosto, pela primeira vez saiu dos muros da FGM. Com uma proposta itinerante, a  Jornada percorreu dois locais simbólicos para a história, a arte e a cultura soteropolitana. No primeiro dia, as discussões aconteceram no terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, no Curuzu. Este foi o primeiro bem tombado pela Fundação Gregório de Mattos, com decreto publicado em janeiro de 2016. Anfitrião da casa, o Doté, Amilton Costa, ressaltou a importância da realização da Jornada no terreiro como um ato que celebra as transformações ocorridas no seio do candomblé e na sociedade de uma forma geral nos últimos anos. 

“O candomblé saiu da África para a senzala. Depois, ele saiu da senzala para a cultura. Essa jornada aqui pra gente é muito importante para demonstrar que estamos em pé de igualdade com outras religiões”, afirma Doté.

No segundo dia, as atividades foram realizadas na Colônia de Pesca Z1, no Rio Vermelho, responsável pela organização da entrega do presente a Iemanjá, reconhecido como Patrimônio Imaterial da cidade em 2020.

Para o representante da Colônia, o pescador Nilo Silva, o evento naquele local tem um significado todo especial e marca recomeço, renascimento. “Nunca teve isso aqui. É uma forma de revitalização da nossa colônia, que está ressurgindo de novo”, reflete. 

“A promoção da Jornada em bens patrimonializados é uma forma de homenagear esse marco e refletir sobre a importância da preservação do patrimônio cultural, que tem sido fundamental para a valorização da identidade e da memória de nossa cidade”, destaca o Diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais da FGM, Chicco Assis. Ele sinaliza que a decisão em realizar a Jornada no seio de onde o patrimônio acontece e é preservado foi assertiva. “Nós contribuímos para aproximar a participação, o pertencimento das comunidades acerca dos debates sobre patrimônio dos quais eles próprios são detentores”. 

Trazendo discussões sobre patrimonialização de bens, sustentabilidade, salvaguarda e colocando o público em contato com vivências e experiências, o evento, na visão de Chicco Assis, se consagrou como um espaço de potência que colocou o patrimônio no centro das rodas de conversas, reflexões e manifestações culturais. 

Para 2025, o formato itinerante da Jornada deve continuar, conforme declara o presidente da FGM, Fernando Guerreiro. “Em 2025, através da Jornada, nós vamos circular por esses espaços da cidade, inclusive, para chamar atenção para esses patrimônios riquíssimos do nosso município”. 

Vivências e Experiências na V Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador 

Por Eduardo Nunes – sob supervisão de Patricia Lins e Luiz Pedro Passos – Ascom FGM

Ainda como parte da programação,  na tarde da última quarta-feira(21), a Fundação Gregório de Mattos promoveu uma oficina para confecção de tarrafa de mosquiteiro e rede de pesca. A mediação ficou por conta de pescadores da Colônia Z1.  

Durante a atividade, o público pôde aprender mais sobre as vivências dos pescadores, além de colocarem em prática alguns ensinamentos realizados na oficina. 

O estudante Ricardo Cruz, de 44 anos, que participou da atividade, ressaltou que a oficina foi uma redescoberta, uma oportunidade de se aproximar de outros saberes e fazeres que não são compartilhados em sala de aula. 

Comentando sobre a importância do evento para os pescadores da região, Nando Lopes, que trabalha com a pescaria no mar há 19 anos, reafirmou o compromisso de reverberar essa cultura.

“Quanto mais divulgar, quanto mais reverberar essa cultura, ela não vai se apagar, não vai se acabar, e a pessoa vai dar mais valor, né? Como o pessoal ali falou, vou dar mais valor agora na pititinga porque dá trabalho. Então, assim, a gente desperta isso na pessoa pra ela construir”, destaca Nando. 

Já Dinho, que carrega mais de 40 anos de experiência com a pesca na região, aconselhou aqueles que desejam começar na pescaria a ouvir os mais experientes.

“Tem que conversar com a gente que é pescador mais velho. Às vezes o mar aqui tá brabo, tem gente que chega aqui e vai descendo, se jogando sem saber para que lado puxa. Então, a pessoa tem que chegar aqui, tem que procurar saber as coisas.”.

Com as vivências e experiências na V Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, a FGM oportunizou a aproximação da população com as manifestações populares que ajudam na construção da identidade cultural do soteropolitano, além de servir como uma ação de educação patrimonial.