Texto: Ascom FGM
Fotos: Ricardo Prado
No encerramento de sua sétima edição, a Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, promovida pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), propôs um mergulho na história da capital baiana a partir de sua origem: o mar. A atividade prática “Salvador vista do mar – território, memória e patrimônio” levou os participantes à Baía de Todos-os-Santos para contemplar o frontispício da cidade e debater a preservação sob uma nova perspectiva.

A programação do sábado (22) começou na Casa das Histórias de Salvador, onde o foco foi a educação patrimonial e o reconhecimento dos saberes ancestrais. O evento premiou sete mestres e mestras contemplados pelo edital de Culturas Populares, transformando a roda de conversa em uma vibrante roda de samba, celebrando a resistência e a arte soteropolitana.

À tarde, o embarque em uma escuna proporcionou uma visão inusitada dos marcos arquitetônicos e geográficos de Salvador. Para João Gustavo Andrade, representante do Iphan, a iniciativa da FGM em levar o debate para o mar é uma estratégia fundamental de aproximação com a comunidade.
“É uma forma diferente, inusitada e até espontânea de se contar um pouco sobre a história de Salvador. É uma oportunidade da FGM contar sobre a importância da preservação desse patrimônio para que possamos entender a cidade como um elemento da nossa história, memória e identidade,” destacou Andrade.

Para o arquiteto e urbanista Rodrigo Costa, a vivência prática ao longo da Jornada permitiu acessar territórios que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano. Pesquisador de patrimônios negros e de terreiros, ele ressaltou a importância de conectar o material ao imaterial.
“Conhecer a nossa cidade e se sentir pertencente é fundamental. A jornada possibilitou vivenciar espaços que simbolizam resistência e manifestações de arte e fé. Construímos um diálogo sobre o que é esse grande patrimônio que é a nossa cidade,” afirmou Costa, mencionando também a forte emoção da visita ao Terreiro Casa Branca no primeiro dia do evento.