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Literatura no Corpo: desfile no Pelourinho une poesia, moda e design

Publicado: 08/08/2026-21:16

Texto: Ascom FGM

A Praça das Artes, no Pelourinho, virou um grande palco de exaltação à palavra e à identidade neste sábado (8). O desfile literário Literatura no Corpo, realizado pela Gerência de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura da Fundação Gregório de Mattos, reuniu comunidade, leitores e novos talentos da literatura baiana em uma apresentação singular que uniu moda, design e poesia.

O projeto, que teve como público-alvo frequentadores e integrantes de bibliotecas comunitárias e municipais de Salvador, propôs uma imersão criativa: transformar textos literários e sentimentos em peças de vestuário e performances artísticas. O resultado foi um desfile que movimentou a programação da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), levando a literatura para a passarela.

Para os participantes, a experiência extrapolou o conceito de uma apresentação artística; foi um divisor de águas no contato com a escrita e com a própria autoestima.

A jovem Camille Vitória Almeida de Souza, de 13 anos, moradora do bairro da Terezinha e integrante da Biblioteca Comunitaria Paulo Freire, subiu à passarela para uma vivência inédita. “Achei uma experiência incrível. Foi diferente, porque eu nunca tinha tentado escrever um poema. Eu achei incrível e me senti orgulhosa de mim e das pessoas que desfilaram comigo”, destacou Camille.

A estudante revelou ainda que a participação no evento acendeu o interesse pelo universo literário e que pretende continuar trilhando esse caminho. “Vou começar a participar de outras oficinas de poesia. Foi uma coisa que me puxou, porque eu não era muito apegada a ler. Isso me incentivou. E eu amei, muito obrigada”, comemorou.

Se para os mais jovens o evento abriu portas para a leitura, para os novos poetas a iniciativa consolidou marcos pessoais. A superação da timidez foi uma das conquistas apontadas pela poetisa Adeilda Nascimento, de 30 anos, conhecida artisticamente como Deusa Profana, que mora em Paripe e também é integrante da Biblioteca Comunitaria Paulo Freire.

“Eu sou poetisa iniciante e, para mim, hoje foi um marco, porque foi a primeira vez que eu consegui recitar sem ler! E eu estou em êxtase”, contou Adeilda, que revelou ter treinado em casa antes do desfile. “Eu fiquei treinando comigo mesma porque sou muito tímida, não queria que ninguém visse enquanto estivesse recitando. Recitei várias vezes e deu super certo. Estou muito feliz e orgulhosa de mim mesma”.

Adeilda ressaltou ainda o impacto social e político do Literatura no Corpo, ao valorizar territórios e populações frequentemente invisibilizadas pela cidade.

“Acho que é um projeto super importante, principalmente porque o público-alvo foi de bibliotecas comunitárias e municipais, que são frequentadas majoritariamente por pessoas pretas, marginalizadas. Esse projeto traz esse cuidado, essa leveza, essa poética e essa identidade, acima de tudo”, concluiu a poetisa.