O livro “Dos filmes que ainda não fizemos – Narrativas Soteropolitanas” será lançado dia 20 de dezembro no Espaço Boca de Brasa Cajazeiras. A publicação é resultado de oficina gratuita com recursos da Lei Paulo Gustavo.
O livro “Dos filmes que ainda não fizemos – Narrativas Soteropolitanas”, contendo 21 roteiros audiovisuais de curta metragem de ficção, é o resultado final de duas oficinas, uma presencial (realizada em Cajazeiras) e outra online. A publicação traz histórias inéditas que revelam imaginários de uma Salvador profunda. O evento será no foyer do Espaço Cultural Boca de Brasa de Cajazeiras, no dia 20 de dezembro, entre 9h30min e 11h30min.
O livro é um registro de pessoas que vivem o cotidiano de Salvador. “Estamos contentes com o resultado final, nossa meta foi alcançada”, comemora Carolina Gomes, da Coletivo 4 Audiovisual. O projeto foi contemplado pelo edital Gregórios – Ano III, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos.
“O projeto gerou um impacto positivo para dezenas de jovens e adultos soteropolitanos, com destaque para a comunidade de Cajazeiras”, comenta Gomes.
Já que fazer um filme custa muito, escrever um roteiro não, porém, ao desenvolver um roteiro, a partir de técnicas de escrita audiovisual, abre-se um mundo de possibilidades criativas e de leituras críticas da sociedade contemporânea, em que as imagens exercem papel central.
A proposta, segundo Rober Corrêa, oficineiro e coordenador pedagógico da oficina, é possibilitar às comunidades periféricas a oportunidade de se apropriar da técnica de escrita de um roteiro audiovisual, abrindo novos horizontes de ação artística e profissional para um público que, na maioria das vezes, está alheio ao circuito cultural do centro da cidade.
Ainda este mês, os livros estarão disponíveis para leitura em bibliotecas e escolas públicas de Salvador, inclusive em formatos e-book, audio-livro e livro em braille.
Narrativas Soteropolitanas revela o potencial criativo dos soteropolitanos
O sucesso da Oficina surpreendeu a equipe do projeto pelo interesse de jovens e adultos em aprender a escrever roteiros. “Temos certeza de que essa oficina potencializou a inserção de contadores de histórias, da cidade do Salvador, na indústria criativa da cidade”, afirma Carolina Gomes, produtora executiva do projeto.
porta de acesso ao mercado. “Após fazer o curso, me aproximei mais do setor audiovisual e encerro 2024 tendo realizado diversos trabalhos na área, inclusive em projetos de grande porte”, disse. Esse ano, Cris (como é conhecida), integrou a equipe de trabalho de eventos importantes, como o Lab dos Filmes que ainda não fizemos, o Animaí e o Dialab.
Jair Leal é um comunicador popular de Cajazeiras. Para ele foi um grande desafio e algo extraordinário ter conhecido a linguagem técnica do roteiro. “Entender o universo audiovisual e conseguir, com a orientação dos professores, finalizar uma história real, com personagens fictícios, e resgatar a memória de um povo afro brasileiro, dentro do meu país Cajazeiras, não tem preço”, refletiu.
A produtora cultural Daniele Giron, agrônoma e bacharela em Direito, resolveu participar da oficina sem muita expectativa. Entretanto, para ela foi uma surpresa boa encontrar tanta gente interessante e criativa. Para Giron, Cajazeiras se mostrou um bairro pulsante. “A arte e a ciência da periferia são fascinantes”, afirmou.
Para Ticiana Schindler, participar da oficina “Dos Filmes que Ainda Não Fizemos” foi uma experiência incrível.
“Me trouxe inspiração para novas histórias e projetos. A troca de ideias com moradores locais, a abordagem prática do roteiro para cinema, ajudaram a expandir minha visão criativa. Iniciativas desse tipo são fundamentais para descentralizar o acesso à cultura e fomentar talentos locais. Vida longa à oficina, e que os Filmes que Ainda Não Fizemos possam cada vez mais serem realizados!”