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Movimento Boca de Brasa: Podcast destaca a potência artística das periferias

Publicado: 28/03/2025-17:45

Reportagem: Thaís Seixas

Foto: Carla Lucena

Compartilhar experiências de iniciativas que transformam comunidades e mostrar a atuação de empreendedores que desenvolvem estratégias baseadas na inclusão, desenvolvimento social coletivo e distribuição de conhecimentos. Estes são os principais objetivos do podcast ‘Potências da Periferia’, realizado em dois episódios na tarde desta sexta-feira (29), como parte da programação do Movimento Boca de Brasa.

Os dois encontros no Espaço Cultural da Barroquinha foram comandados pela jornalista e apresentadora Luana Assiz. Ela destaca que a proposta é discutir a importância da arte nas periferias.

“Falamos sobre o impacto da arte nas comunidades, na periferia, de que forma a arte promove a libertação, promove a mudança de vida de várias pessoas em diversas perspectivas, não só em Salvador, mas também em outros territórios. Abordamos ainda o empreendedorismo preto, que movimenta a economia dentro dessa comunidade, onde a gente faz circular o black money e que a gente coloca as ideias a serviço da nossa própria comunidade e também gerando renda movimentando a economia”, explica.

O primeiro episódio foi ‘O poder dos coletivos artísticos nas periferias’, que contou com a participação de Agatha Virgens, da Cia de Teatro JÁÉ, grupo artístico e de ensino gratuito do bairro de Valéria; DJ Raiz, do coletivo Ministereo Público, primeiro sound system da Bahia; e Luiz Paulo Correa e Castro, do grupo Nós do Morro, organização social atuante no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro.

Luiz Paulo revela os desafios vividos pelo grupo Nós do Morro. Foto: Carla Lucena | Ascom FGM

Luiz Paulo revela os desafios de manter o Nós do Morro durante os últimos 39 anos. “O principal desafio foi convencer a comunidade de que era possível, de que havia um potencial artístico lá dentro. As pessoas tinham o talento, mas não tinham como expressar esse talento nem desenvolvê-lo. Nestes 39 anos, já passaram mais de 15 mil pessoas por nossas turmas de formação. Então o outro desafio era convencer as pessoas de que nem todo mundo vai virar artista, mas pode trabalhar como um técnico e viver da arte da mesma forma”.

Já Agatha Virgens revela o sentimento de dever cumprido quando observa a movimentação atual da comunidade em relação à arte. “No início, foi muito difícil fazer as pessoas entrarem no teatro e entenderem o que é ser artista. Fui nas escolas públicas e ONGs para provocar essa galera, trazendo jovens e adultos e fazendo com que a comunidade se visse no palco. Hoje, a gente fazer qualquer mostra, lotar um teatro e ter uma representante do bairro aqui neste evento é muito importante, é sinal de que valeu a pena toda a luta”.

Agatha Virgens faz parte da Cia de Teatro JÁÉ. Foto: Carla Lucena | Ascom FGM

O segundo episódio do Podcast teve como tema “Empreendedorismo do Futuro” e reuniu Bárbara Carine, da Escola Maria Felipa, escola afro-brasileira de Salvador comprometida com uma pedagogia inclusiva; Amanda Dias, do Grana Preta, projeto de educação financeira; e Augusto Leal, do Museu de Arte de Simões Filho (MASF), um museu a céu aberto que reage à falta de espaços culturais no município.

Augusto Leal ressalta que a proposta era compartilhar com o público suas criações em prol da cultura de Simões Filho. “Trouxe uma fala sobre como eu tenho movimentado a cena cultural de Simões Filho, a partir da criação do MASF e de outros movimentos, a partir desse cenário de falta de espaço cultural, de políticas públicas, de cultura. Esses empreendimentos foram criados para colocar em debate o cenário territorial e criar espaços de fruição artística para as pessoas do território, além das circulação dos trabalhos dos artistas da cidade que não têm espaço para mostrar seu trabalho”, diz ele.

Boca de Brasa

Luana Assiz revela ainda que os temas discutidos nos podcasts têm relação com a própria essência do Boca de Brasa, que movimenta a cena cultural de Salvador com uma série de capacitações e acelerações de novos artistas.

“O Boca de Brasa é um movimento que coloca as comunidades no centro e com o protagonismo que eles de fato têm. Coloca a arte em primeiro lugar e as pessoas que movimentam os bairros de Salvador em evidência. Para mim, é também a oportunidade de troca, de conhecer iniciativas, reencontrar algumas pessoas que eu já conheço, então eu acho super importante. E Salvador precisa muito de movimentos assim, não só aqui no Espaço Cultural da Barroquinha, e que esse projeto tenha vida longa e se expanda cada vez mais”, conclui.