Reportagem: Thaís Seixas
Fotos: Carla de Lucena | Ascom FGM
‘Por uma política pública para as salas de cinema de pequeno e médio porte’. Este foi o tema da mesa de abertura do Seminário de Exibição, que integra o Panorama Internacional Coisa de Cinema. O evento aconteceu nesta quarta-feira (2), no Cine Glauber Rocha, em Salvador, marcando o início da programação do Panorama, que segue até 9 de abril.
O debate, mediado pelo diretor do Glauber Rocha e do Panorama, Cláudio Marques, contou com a participação do Presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro; do secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro; e da secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Oliveira Gonzaga.
“O panorama encontrou seu formato ao longo do tempo, desenvolvendo o seu público, mas a gente sempre procurou novidades e criou laboratórios, oficinas, itinerâncias e, desde o ano passado, temos o seminário. Pela primeira vez, estamos reunindo cerca de 40 grupos exibidores de todas as regiões do país. São pequenos e médios exibidores que têm um ponto de vista sobre a exibição no país”, explicou Cláudio Marques.
O diretor do Panorama apresentou ainda números relativos ao mercado de exibição no Brasil. “Em 2023, tivemos apenas 3,3% de exibições brasileiras no país, contra 96,7% de estrangeiros. Em 2024, houve uma melhora, a gente fez 10% dos ingressos vendidos, muito em função de ‘Ainda estou aqui’ e ‘O auto da compadecida”. Em 2025, estamos com incríveis 28,7%, graças ao fenômeno ‘Ainda estou aqui'”, comparou ele.
O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, ressaltou que um dos principais obstáculos para o mercado audiovisual baiano é a distribuição. “Temos que criar uma política de fomento para a distribuição, que tem que estar colada com as outras políticas: seja de roteiro, de execução do filme ou seriado, ou seja, deve estar vinculada. Muitas vezes, a cadeia é quebrada: ela para na produção e não chega à distribuição”.
Fernando Guerreiro também destacou a importância de uma campanha para atrair mais pessoas às salas de cinema. “Tivemos a televisão, o streaming e, depois, uma pandemia que afastou as pessoas dos espaços. Gradativamente, elas estão começando a frequentar o cinema de novo. Mas é importante colocar aquela tarja de que aquele filme só se vê no cinema, porque aí você provoca a plateia. Se ela sabe que vai entrar logo no streaming, vai esperar. É preciso se estabelecer um prazo mínimo (de estreia no streaming), para que esse produto cinematográfico seja visto nos cinemas”.

Fomento
Entre as ações de fomento do audiovisual realizadas pela Fundação Gregório de Mattos, estão o Edital SalCine, que em 2024 contou com investimento de mais de R$ 20 milhões, sendo R$ 15,3 milhões via Governo Federal, através da Lei Paulo Gustavo, e R$ 5 milhões em recursos da Prefeitura de Salvador.
O setor audiovisual conta ainda com os editais Salvador Cine, que investiu R$ 750 mil na última edição; Gregórios, com investimento de R$ 1,3 milhão; e Salvador Circula, que contou com recursos na ordem de R$ 145 mil.
Panorama
Este é o segundo ano consecutivo que a Fundação Gregório de Mattos apoia o Panorama Internacional Coisa de Cinema. O festival foi contemplado pelo edital Gregórios Ano IV, com recursos da FGM, e vai contar com atividades especiais pelos 20 anos de história.
A programação segue até 9 de abril em Salvador. Na capital baiana, a programação se concentra no Cine Glauber Rocha, mas também haverá sessões na Sala Walter da Silveira. Já na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, as atividades ocorrem de 2 a 6 de abril, no Cine Theatro Cachoeirano.
A programação completa e outras informações sobre o Panorama estão disponíveis no site oficial do evento.







