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Patrimônio é… celebra e destaca o Povo das águas

Publicado: 24/10/2024-14:39

Reportagem: Luiz Pedro Passos – ASCOM FGM

Fotos: Carla Lucena

O terreiro Ilê Axé Kalé Bokùn, em Plataforma, abriu as suas portas para receber mais uma edição do Patrimônio é… O projeto, que é promovido pela Fundação Gregório de Mattos, aconteceu na última quarta-feira (23) e discutiu o tema “Nação Ijexá: Kalé Bokùn e o Povo das Águas”. Um momento para reconhecer, valorizar e celebrar as tradições da cultura de matriz africana. 

A Nação Ijexá é conhecida como “a nação do povo das águas”. Os participantes, especialmente convidados para a roda de conversa: Vilson Caetano, Iyá Vânia Amaral e Babá Everaldo de Oxum, destacaram em suas falas essa relação, além de reafirmar o compromisso do projeto Patrimônio é… para o resgate e reconhecimento dos bens materiais e imateriais da cidade de Salvador. “Para mim é muito importante estar participando desse evento que tem o objetivo de contribuir para guardar e resguardar as nossas tradições, tanto materiais quanto imateriais”, afirma o Babá Everaldo de Oxum. 

Enquanto anfitriã da Casa, a Iyá Vânia Amaral ressaltou que o projeto não somente valoriza o terreiro que está localizado em uma região periférica da cidade,  mas ajuda a dar visibilidade, além de jogar luz à história dos Ijexás. “Isso dá a oportunidade das pessoas conhecerem melhor quem somos e o que fazemos”, pontuou. 

O Ilê Axé Kalé Bokùn, localizado em Plataforma, foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Município de Salvador em 2018. Este reconhecimento pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) destaca a relevância da Nação Ijexá e dos seus rituais, dentre eles a Festa do Presente das Águas. Segundo a Iyá Vânia Amaral, “essa festa celebra a devoção e a renovação espiritual, homenageando os orixás das águas: Oxum, Yemanjá e Logun Edé”. 

O pedido de tombamento do terreiro foi feito a partir do Laudo Etno Histórico do Kalè Bokùn, fruto da pesquisa do professor Vilson Caetano que revelou elementos importantes acerca da presença dos africanos ijexás em Salvador. A qualidade do laudo foi tão significativa que foi convertido em formato de livro e nasceu Ijexá, O Povo das Águas, publicado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM). 

Participando da mesa, Vilson lembrou que a produção de todo o estudo contou com o envolvimento da comunidade, dando depoimento e indicando pessoas para poder falar. Nesse sentido, ainda, o pesquisador reverenciou o papel da FGM no acolhimento do pedido e, posteriormente, com o ato de tombamento. A pesquisa realizada por ele traz documentos e relatos históricos que remontam o final do século XIX, passando pelos anos de 1930 e 1940, traçando um encontro entre aquilo que faz parte da tradição oral com o que se tem de registro documental.

Sete anos depois, essas memórias vão virar enredo da Escola de Samba Unidos da Tijuca, no Rio de Janeiro.  O pesquisador fala da expectativa para essa ocasião: “Eu estou muito contente, acho que vai ser um momento também de muito reconhecimento dessa comunidade e a gente vai poder ver o nosso trabalho também contado e ampliado para todo o Brasil”.