Reportagem: Luiz Pedro Passos
Foto: Carla Lucena
A Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos, tem ampliado os investimentos na revitalização de bens históricos e culturais. A iniciativa parte do fortalecimento da estratégia de preservação de símbolos importantes para a construção da memória e da identidade da população. Nesse sentido, nos últimos meses, mais de 1 milhão de reais foram aplicados.
Como parte desses esforços, na próxima quarta-feira (29) às 9h, o prefeito Bruno Reis, ao lado do presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, fará uma série de entrega de monumentos revitalizados, dentre eles os bustos dos heróis da conjuração baiana, localizados na Praça da Piedade; o relógio de São Pedro, situado no centro, a efígie de Rubén Darío, erguida no Morro do Ypiranga, o conjunto arquitetônico que forma o Marco de Fundação da Cidade e a Estátua de Jesus – o Salvador, além das obras de revitalização das Fontes do Santo Antônio e do Baluarte, na Ladeira da Água Brusca; Dos Padres, no Comércio e Gravatá em Nazaré. Na oportunidade, os gestores também farão a assinatura do ato de Tombamento de um Conjunto de Balaustradas Antigas, elementos importantes tanto do ponto de vista histórico quanto arquitetônico da cidade de Salvador.
A política de preservação, valorização, ampliação e divulgação do patrimônio histórico e artístico do município de Salvador é conduzida pela Fundação Gregório de Mattos, ao qual entende que este é um aspecto relevante para a constituição da memória coletiva, a compreensão do passado, além da construção de crenças, valores e costumes.
Por isso, integrando essa missão, a FGM realizou a recuperação dos bustos daqueles que são considerados como os heróis da conjuração baiana: os alfaiates João de Deus Nascimento e Manoel Faustino dos Santos Lira e os soldados Lucas Dantas de Amorim Torres e Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga. Os quatro foram considerados protagonistas do movimento que defendia a independência do Brasil, a proclamação da República e a abolição da escravatura. Enquanto líderes da Revolta, foram enforcados e esquartejados em plena praça pública, na cidade de Salvador. A recuperação das obras custou R$ 13.659,72.

Ainda com esse enfoque, a Fundação realizou a revitalização do Relógio de São Pedro e da Efígie de Rubén Darío. O relógio, em forma de poste de iluminação, foi inaugurado em 1916. O equipamento é assim denominado em referência à Igreja de São Pedro Velho, construída em 1785 e derrubada em 1913 para a construção da avenida 07 de setembro. O relógio é tido como um ponto de encontro para a cidade. O processo de automatização e restauro do bem custou R$ 69.391,74 para os cofres do município. Já o monumento em homenagem a Félix Rubén Garcia Sarmiento é um monumento constituído por um pedestal em alvenaria revestido em granito, com uma efígie em bronze. Rubén Garcia foi um poeta lírico contemporâneo, nascido em Sargovia, Nicarágua. Devido a sua forte influência na poesia, ficou conhecido como o príncipe das letras Castelhanas. A quantia dispensada pela Prefeitura para a reforma foi R$ 14.564,02.
Neste mesmo dia, outros espaços e bens revitalizados serão entregues. São eles: a Estátua de Jesus – o Salvador, o painel de azulejos portugueses e o marco da Fundação da Cidade, na Barra; o Terreiro Ilê Asé Kalè Bokùn, na Plataforma e a Okutá de Ògún, em Brotas. No primeiro terreiro, a FGM instalou um pórtico metálico – Painel Ijexá, enquanto que o segundo recebeu um nicho de Ògun, ambos com a finalidade de valorização do patrimônio afrobrasileiro. Para as peças, foram desembolsados cerca de R$ 89.000,00.
O gerente de Patrimônios Culturais da FGM, Vagner Rocha explica que o painel e o nicho, foram criados exclusivamente pelo artista plástico J. Cunha, retratando simbologias das divindades regentes de cada casa. “Essas obras buscam também chamar atenção para o legado afrodiaspórico da cidade mais negra fora da África”, afirma Vagner.
O Porto da Barra, conhecido internacionalmente pelo farol e as águas calmas da sua praia, recebeu também investimentos importantes que prometem atrair os olhares dos turistas e soteropolitanos amantes da história. Essa região foi contemplada com o restauro do painel de azulejos portugueses. Esse quadro é composto por 510 azulejos que representam a chegada e fundação da cidade por Thomé de Souza.

A obra é uma homenagem dos portugueses por ocasião do 4º Centenário de Fundação da Cidade (1549 a 1949). Em 2003, o ceramista português Eduardo Gomes reproduziu o desenho original, feito pelo artista de mesma origem, Joaquim Rebuco. Após ser deteriorado pela força do tempo, a Prefeitura resolveu recuperá-lo, investindo um montante de R$100.623,68. Utilizou-se, para isso, de cerâmica de faiança, louça fina, com materiais provenientes da cidade de Dias D’Ávila, com massa menos rica em caulim e argila, constituída com mais plástica e água mineral. Integrado no mesmo bloco, o Cristo da Barra foi restaurado e polimentado. O custo foi de R$ 6.900,00.
Junto com o painel de azulejo, está o Marco da Fundação de Salvador, composto por uma estrutura vertical – coluna em pedra de lioz portuguesa, com 6,0m de altura, com o símbolo da Coroa Portuguesa e a Cruz de Malta. A localização do marco não é um acaso. Conta-se que foi justamente naquele local que Thomé de Souza desembarcou em 1549, com o objetivo de fundar a cidade de Salvador. Esse cartão postal foi anteriormente tombado pela Prefeitura.
As ações de cuidado e valorização do espaço urbano se materializa também nos serviços de restauração executados em quatro fontes da cidade: do Santo Antônio e do Baluarte, na Ladeira da Água Brusca; Dos Padres, no Comércio e Gravatá em Nazaré. O custo estimado das obras foi de R$ 544 mil.
Dando prosseguimento a agenda, o prefeito Bruno Reis e o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, também irão realizar a assinatura do ato para tombamento de um Conjunto de Balaustradas Antigas da cidade de Salvador. Elas estão localizadas em diversos pontos do município, a saber: Ladeira da Barroquinha, Avenida 07 de setembro, Ladeira da Barra, Praça Castro Alves, Praça da Aclamação, Praça de Santo Antônio da Barra, Praça Thomé de Souza, Pelourinho, Rua da Paciência, Rua do Curriachito, Praça Almirante Coelho Neto, Orla da Barra, Ladeira do Bonfim, Ladeira dos Romeiros e Rua do Pilar. O tombamento das balaustradas se impõe como uma medida importante devido a riqueza desses elementos para a composição da paisagem arquitetônica da cidade e pelo seu forte diálogo com a história e a memória.
Essas distinções ocorrem após a realização de um amplo estudo técnico, elaborado e aprovado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. A partir desse tombamento, qualquer intervenção pretendida para os bens culturais deverá ser precedida de análise, sujeita à aprovação e posterior acompanhamento e fiscalização, executados pela Fundação Gregório de Mattos. O dossiê técnico para tombamento das 13 Balaustradas teve um custo de R$ 131.486,60.
Para o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, todos esses investimentos mostram a importância que a Prefeitura de Salvador vem dando a preservação, valorização e divulgação do patrimônio histórico e cultural, enfatizando que essa política ganhou corpo a partir do ano de 2014, com a aprovação da Lei do Patrimônio. Esse dispositivo legal instituiu normas de proteção e estímulo à preservação do patrimônio cultural do município. Portanto, segundo Guerreiro, esse montante aplicado no patrimônio, aliado a legislação, ratifica o compromisso da gestão com o cuidado com a história e a memória dos soteropolitanos.
Investimento em restauração de bens em 10 anos

O investimento em preservação e valorização do patrimônio histórico e cultural do município de Salvador está na ordem de prioridade da Prefeitura e das suas instâncias e entidades, a exemplo da Fundação Gregório de Mattos.
Em dez anos, a Prefeitura, através da FGM, aplicou R$ 7.126.706,79 em obras de restauro e confecção. Cerca de 34% desse montante, o equivalente a 2.493.563,78 foram empregados entre os anos de 2021 e 2023.
Em 2023, destaca-se, por exemplo, a confecção de uma escultura em Homenagem a Maria Filipa, com um custeio de R$ 160.000,00 e a restauração de todos os monumentos públicos alusivos ao 02 de julho, em que foram dispensados R$ 231.342,41.
Em 2022, cita-se o Chafariz da Cabocla e a réplica da escultura de Mãe Stella e repintura da saia e sobressaia da escultura de Oxóssi. Nesses equipamentos, a Prefeitura colocou recursos na ordem de R$ 85.970,57 e R$170.000,00, respectivamente.
Já em 2021, o Monumento da Cidade de Salvador ou Fonte da Rampa do Mercado, como é conhecido, voltou novamente a embelezar a Praça Cayru, no Comércio. A Prefeitura desembolsou R$ 119.878,44 na obra.