Texto: Ascom FGM e Ana Virgínia Vilalva | Secom PMS
Foto: Thaís Seixas | Ascom FGM
O Memorial 2 de Julho, na Lapinha, será reaberto à visitação pública nesta sexta-feira (11), após a Volta da Cabocla no último sábado (5), como parte da programação da Independência do Brasil na Bahia, realizada pela Prefeitura Municipal de Salvador, Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) e Fundação Gregório de Mattos (FGM). Inaugurado em 2 de julho de 1918, o edifício histórico guarda os símbolos usados nos festejos de 2 de Julho, que são restaurados após o cortejo cívico para serem expostos novamente ao público.
Todas as fases da restauração (antes e após a programação do 2 de Julho) são realizadas pela equipe do restaurador e professor José Dirson Argolo, que deixam as imagens dos caboclos e os carros que levam estes símbolos prontos para desfilar pelas ruas de Salvador.
A ornamentação e demais elementos virtuais do Memorial, que tem três pavimentos, foram construídos a partir do dado arquitetônico, histórico e contemporâneo do local, tendo como ponto de partida as carruagens e as imagens dos caboclos, os principais bens do acervo.
No térreo, além das carruagens com os caboclos, telefones públicos estão expostos com histórias da festa do 2 de julho contadas pelas pessoas que as viveram. Também é exibido um percurso da festa, com um mapa digital mostrando pontos da história da celebração, como é o caso do convento onde Joana Angélica foi assassinada, a cidade de Cachoeira, que é onde a guerra se inicia, inclusive com a saída do fogo simbólico, o entorno do Recôncavo e as principais batalhas na Ilha de Itaparica e em Pirajá.
No 1º andar, chamado de “A Voz do Povo”, estão os mais de 100 retratos tirados durante o bicentenário, entrevistas feitas com pessoas envolvidas diretamente na festa e uma parede com frases retiradas dessas entrevistas, que revelam o tom político atemporal do 2 de julho.
O último pavimento, o mezanino, é onde está o acervo mais robusto da expografia, onde as pessoas podem ler, estudar e interagir, através de uma linha do tempo. Historiadores contam a história do 2 de julho como se fosse uma conversa. As paredes do Pavilhão foram restauradas nos moldes da década de 1950, com os nomes de soldados, combatentes e batalhas que fizeram parte da Independência na Bahia. Um patchwork costurado à mão vai incluir nomes que não foram gravados nas paredes antigamente, como Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa.
Programação
Para marcar a reabertura do Memorial, será realizada uma edição especial do Projeto Reconectar – Circuito Dois de Julho. A iniciativa, promovida pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), faz parte do programa de educação patrimonial que busca fortalecer o sentimento de pertencimento e valorização da história da cidade por meio da visitação a monumentos históricos e espaços simbólicos das lutas pela Independência do Brasil na Bahia.
O projeto contará com a participação de alunos das sete escolas da rede municipal que possuem fanfarras e que participam do desfile comemorativo do 2 de Julho. As visitas ao memorial e aos pontos históricos serão acompanhadas por apresentações das próprias bandas musicais escolares.
A abertura acontece a partir das 9h, no monumento dedicado à Maria Quitéria, na Soledade, com alunos da Escola Municipal Alexandrina Santos Pita, e a apresentação da fanfarra Masp Show, que desfilará da Soledade até o Largo da Lapinha. As demais escolas visitarão o circuito entre os dias 15 e 17 de julho, sempre com atividades nos turnos matutino e vespertino.
Na terça-feira (15), participam os alunos das escolas municipais Helena Magalhães, com a fanfarra Fahema, e Palestina, com a fanfarra Bamup. Na quarta-feira (16), é a vez das escolas municipais de Fazenda Coutos, com a fanfarra Fanmuf, e a Barbosa Romeo, com a Bamsc. O projeto será encerrado na quinta-feira (17), com a presença dos estudantes das escolas municipais Teodoro Sampaio, com a Fantesa, e Manoel Barradas, com a Famasba.
Criado em 2023, durante as comemorações do bicentenário da independência, o circuito é o quarto roteiro do Projeto Reconectar e inclui três pontos históricos: Lapinha, Campo Grande e Pirajá, locais diretamente ligados à luta baiana contra as tropas portuguesas.

Escolas e fanfarras
De acordo com o diretor de Patrimônio da FGM, Vagner Rocha, a escolha por levar as fanfarras ao circuito é uma forma de reforçar o elo entre o passado e o presente, estimulando nos jovens o orgulho da história da Bahia e a importância dos personagens como Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa, figuras fundamentais nas batalhas pela independência.
“A principal expectativa com essa ação é que ela continue gerando impacto e que os estudantes se tornem multiplicadores do conhecimento adquirido, ajudando a preservar a história de Salvador e da Independência do Brasil na Bahia. É fundamental que os jovens compreendam o papel decisivo da Bahia nesse processo, já que foram os baianos que, com luta e resistência, expulsaram definitivamente os portugueses e consolidaram a independência do país”, declara.
Monumentos históricos
Junto aos desfiles e visitas guiadas, os estudantes terão acesso a informações sobre os monumentos históricos, por meio dos QR Codes instalados pela cidade. Os conteúdos estão disponíveis em português, inglês e espanhol, possibilitando a ampliação do alcance turístico e educativo do projeto.
Além do Dois de Julho, o projeto Reconectar conta com outros três circuitos: Vila Primitiva, Centro Histórico e Vila Moderna. O primeiro percurso, do Forte São Diogo ao Cristo da Barra, tem como foco a origem da cidade, destacando a influência indígena e a colonização, além de importantes templos religiosos e fortificações. Dentre os pontos visitados estão o Marco da Fundação da Cidade, o Forte São Diogo e o Farol da Barra.
Já o circuito Centro Histórico vai da Praça da Sé até a Praça Castro Alves, e compõe a rota da cidade fundada por Tomé de Sousa em 1549, destacando importantes edifícios e monumentos do período colonial, como o Cruzeiro de São Francisco. Por fim, o circuito Cidade Moderna, da Praça Castro Alves ao Campo Grande, explora a expansão e modernização da cidade a partir do século XX, destacando remodelações urbanas e avanços no sistema de transporte. No trajeto, são visitados monumentos como o Relógio de São Pedro e o Monumento ao 2 de Julho.