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Terreiro Ylê Axé Abassá de Ogum celebra memória de Mãe Gilda e requalificação do entorno de busto em Itapuã

Publicado: 03/12/2024-10:55

Reportagem: Luiz Pedro Passos

Com um clima de emoção e celebração, o Terreiro Ylê Axé Abassá de Ogum, situado em Itapuã, comemorou no último sábado (30) os dez anos da inauguração do busto em homenagem à Mãe Gilda, além da entrega das obras de requalificação e acessibilidade no entorno do monumento. A cerimônia ocorreu no Parque do Abaeté, onde o busto está instalado, e reuniu líderes religiosos de diversas denominações, autoridades políticas, fieis e admiradores da história e do legado de Mãe Gilda.

Mãe Gilda de Ogum, referência para os terreiros de Itapuã e da Bahia, foi uma incansável ativista no combate à intolerância religiosa. Sua morte, aos 65 anos, foi marcada por um infarto fulminante, que, segundo sua família, ocorreu após anos de ataques motivados por preconceitos religiosos.

O busto em sua homenagem foi erguido em uma parceria entre a Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), e a Fundação Palmares. Durante a cerimônia, Chicco Assis, diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais da FGM, destacou o papel do monumento: “Este busto é um símbolo da memória de Mãe Gilda e do compromisso contínuo de enfrentarmos o racismo, a intolerância e todas as formas de discriminação.”

A atual ialorixá do Terreiro Ylê Axé Abassá de Ogum e filha de Mãe Gilda, Mãe Jaciara reforçou a importância do evento, apontando para os desafios enfrentados pelos povos de terreiro. “A luta contra a intolerância religiosa não é vitimismo nem ‘mimimi’, mas uma necessidade urgente de justiça. O busto de Mãe Gilda, que representa resistência e fé, foi alvo de ataques repetidos, uma prova da violência e do desrespeito enfrentados pelas religiões de matriz africana. Esses ataques vão além da imagem de minha mãe; eles ferem todos os terreiros, a comunidade negra e as futuras gerações”, afirmou.

Entre os discursos que marcaram a cerimônia, o padre Lázaro trouxe reflexões importantes sobre o apagamento histórico e o racismo estrutural: “O apagamento das contribuições negras é um processo perverso e institucionalizado, que ultrapassa disputas religiosas. É uma luta contra um sistema que tenta silenciar nossas vozes e nossa dignidade. Hoje, reafirmamos nosso compromisso de resistir e honrar nossos ancestrais.”

Além de falas institucionais, a cerimônia contou também com apresentações culturais e rituais religiosos.